Saiba mais: Música

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Se quiser saber mais sobre a música do interior paulista, confira as dicas de textos, livros e sites recomendados. Você também pode consultar a coleção Terra Paulista: histórias, arte, costumes1 .

1.Texto
Resumo do texto Música na terra paulista: da viola caipira à guitarra elétrica2, de Alberto T. Ikeda3.

A música caipira, em um primeiro momento, se fez a partir das práticas musicais introduzidas pelos portugueses, de tradição ibérica, incorporando com o tempo e, em pequena escala, traços de musicalidades indígenas. Posteriormente recebeu também a presença da música de africanos e seus descendentes. Pelo lado da cultura nativa, podemos exemplificar com dois dos gêneros mais tradicionais da cultura caipira, o cururu e o catira, resultantes do processo de catequização dos indígenas pelos jesuítas.

Quanto à questão da área de abrangência da cultura caipira, há de se lembrar, que a expansão da música dos paulistas teve outras etapas além daquela inicial, decorrente da ocupação do território. Com o desenvolvimento dos meios de comunicação de massa, no final da década de 1920, iniciaram-se as gravações de discos com a música do interior paulista, rebatizada de música sertaneja, que também passou a ser divulgada nas rádios. Essa nova fase de expansão atingiu paulatinamente outras regiões, até chegarmos às décadas de 1970/1980, agora já com a presença da televisão. Nos anos seguintes, quase toda modificada, a música historicamente lastreada em São Paulo tornou-se fenômeno nacional e internacional, com as “duplas sertanejas jovens”, como Chitãozinho e Xororó, Christian e Ralf, Zezé Di Camargo e Luciano e tantas outras.

Historicamente, a música tradicional caipira começou a ser evidenciada no cenário da cultura brasileira a partir da capital paulista, sobretudo da década de 1910 em diante, tendo no escritor, produtor e apresentador-humorista Cornélio Pires um dos divulgadores pioneiros. Não se acreditava que discos com músicas do interior paulista pudessem ter compradores. Mas a verdade é que a iniciativa teve sucesso comercial e artístico criando-se a Turma Caipira Victor, da Victor Talking Machine Company (RCA Victor), resultando na gravação de cinco discos, lançados no ano de 1929. A partir de então, a música tradicional paulista começou a ser apresentada para além das fronteiras da zona de influência da cultura caipira.

As músicas que na cultura tradicional comumente aconteciam integradas a outras atividades, passaram a se constituir como realização especificamente artístico-musical, para a audição isolada, embora, em muitos momentos pudessem servir para a dança. Estabeleceram-se assim os gêneros que se consagraram como música sertaneja paulista, distinta das músicas de outras regiões. O termo sertanejo era aplicado à música regional nordestina, que chegava ao Rio de Janeiro com os migrantes, do mesmo modo que comumente se designava sertanejo os interioranos daquela região.

Quanto aos gêneros (ritmos) da música sertaneja, além daqueles tradicionais e mais comuns, como o cururu, o catira, a toada e a moda-de-viola, referenciados nas duplas mais antigas, com acompanhamento da viola-caipira e do violão, podemos notar ao longo do tempo uma dinâmica incorporação de outros ritmos, de diferentes localidades brasileiras e estrangeiras.

Posteriormente, na década de 1990, sobretudo, houve momento de forte presença norte-americana na música sertaneja, desta vez por meio da música country e dos rodeios, em que a figura dos caubóis passou a ser referencial, gerando um comércio altamente lucrativo, incluindo o modismo dos seus trajes: chapéu texano, bota, calça jeans, camisa de corte próprio e cinto de fivela grande. Essa última fase corresponde ao da consagração dessa música, ainda identificada como sertaneja, como fenômeno de alcance nacional e internacional, em que poucos aspectos se preservaram da época das primeiras gravações, praticamente restando somente o canto em duplas.

Além das vertentes das músicas caipira e sertaneja, é preciso enfocar ainda aquela denominada “música raiz” ou “música de raiz”. Podemos dizer que se trata de uma vertente da chamada MPB - Música Popular Brasileira - voltada para os padrões considerados autênticos da música caipira, que vem se configurando desde os anos 1970. Esse seguimento musical se dinamizou nas décadas de 1980/1990, concomitante à ascensão e massificação da música sertaneja comercial, alçada à condição de fenômeno nacional. Fortaleceu-se, assim, o movimento identificado como música sertaneja “raiz”, incluindo cantores solistas (não mais em duplas), conjuntos musicais (“bandas”) e instrumentistas solistas, tendo na viola-caipira o seu símbolo máximo.

Todas as vertentes se revelam fundamentalmente como fenômeno paulista e da região de sua influência histórica. Tal fato se confirma na própria procedência dos seus protagonistas: desde os primeiros cantadores caipiras da região de Piracicaba, no início do século XX - trazidos para se apresentarem na capital -, passando pelos “artistas” sertanejos pioneiros, até as duplas sertanejas mais recentes, das canções de massa, e os cultores das “raízes”, que na maioria são mineiros, paranaenses, goianos, matogrossenses e, evidentemente, paulistas e até paulistanos, cujas vivências ou memórias se fundam na cultura caipira.

 

1 SETUBAL, Maria Alice (coord.). Coleção Terra Paulista: histórias, arte, costumes. São Paulo: Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária/ CENPEC, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 3v. A coleção pode ser encontrada em bibliotecas de instituições educacionais e culturais.

2 Texto publicado na íntegra em: SETUBAL, Maria Alice (coord.). Manifestações artísticas e celebrações populares no Estado de São Paulo. Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária,São Paulo: CENPEC, Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. v.3.

3 Alberto T. Ikeda é mestre em Artes, doutor em Ciências da Comunicação, pesquisador e professor de etnomusicologia e cultura popular no Instituto de Artes da UNESP. É autor de mais de 40 artigos e ensaios sobre música e cultura popular do Brasil.

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3. Sites

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